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Por Uma Ética que Inclui Todas as Vidas

Manifesto Vegano: Por Uma Ética que Inclui Todas as Vidas Não foi apenas um boi correndo pelas ruas. Foi um corpo tentando sobreviver. Foi o instinto gritando mais alto que o sistema. Quando um animal foge a caminho do abate, ele expõe uma verdade que muitos preferem não enxergar: ninguém quer morrer . Nenhum ser senciente aceita a violência de forma passiva. O medo, a dor e o desejo de viver não são exclusivos da espécie humana. O veganismo nasce dessa constatação simples e incontestável: explorar animais não é necessidade, é escolha . Animais não são produtos Chamam de “cadeia produtiva”, “mercadoria”, “abate humanizado”. Nós chamamos de exploração. A linguagem suaviza, mas não elimina a realidade: vidas são reduzidas a números, peso e lucro. O boi que correu não era um acidente. Ele é a consequência direta de um sistema que transforma indivíduos em coisas e normaliza a violência desde que ela seja lucrativa e legalizada. A violência invisível também é violência A maioria dos animai...

No RS, churrascaria Picanhas Grill vira vegana contra sofrimento animal

 Evandro Rodrigues não esquece do primeiro almoço na casa da namorada. Zelinda Lima preparou pratos de que gostava e sabia fazer, como glúten temperado, mas que eram completamente atípicos para ele. 

O namorado trabalhava em churrascaria e pegou gosto pela coisa. Evandro sonhava em abrir o próprio restaurante.

Juntos, eles criaram um restaurante vegano no Rio Grande do Sul que está dando o que falar. A dieta sem uso de ingredientes de origem animal é defendida como uma maneira sustentável de alimentação e respeito com a vida animal. Mas antes do cardápio vegano, muita coisa aconteceu.

A namorada de Evandro vivia em uma realidade bem diferente da dele. Há mais de 30 anos, Zelinda se tornou vegetariana por influência da filosofia hare krishna.

Não há a menor chance de que ela volte a um cardápio com ingredientes de origem animal e, consequentemente, nunca experimentou nada do que ele preparava para os clientes. Com o tempo, Zelinda criou uma mão boa para a cozinha vegetariana. Na verdade, a técnica era uma necessidade.

"Cansei de passar fome por não achar restaurantes com comida vegetariana no passado", diz. Assim, ela sonhava em facilitar a vida de outros vegetarianos e veganos de Porto Alegre, capital de um estado que se gaba do churrasco. Mesmo assim, apoiou o sonho de ter uma churrascaria de Evandro, mas com condições.

Além de carne, o restaurante também serviria opções vegetarianas e veganas. Quem quisesse, que pedisse. 

Picanhas Grill - Félix Zucco/Agência RBS
 
Pratos servidos no Picanhas Grill Veg, em Porto AlegreImagem: Félix Zucco/Agência RBS

 

Os dois economizaram, pediram dinheiro emprestado e abriram as portas do Picanhas Grill, na capital gaúcha. Como acontece com muitos restaurantes, o início foi difícil. Os clientes não apareciam e ainda era preciso reformar o salão.

Mas com o tempo a clientela foi aumentando, as obras terminaram, as dívidas foram quitadas e muitos vegetarianos apareceram em busca das receitas sem carne. Até que más notícias começaram a circular pela televisão e na boca dos clientes. Um vírus altamente contagioso e fatal se espalhava na China, Europa, e ameaçava contaminar os brasileiros.

O Picanhas, então com filas de dobrar a esquina, fechou para o público em respeito às medidas sanitárias e passou a atender apenas por aplicativo.

Em junho do ano passado, o casal teve uma ideia. "Por que não aproveitar e mudar nosso negócio?", perguntaram um para o outro. Assim, a churrascaria virou vegana.

A virada

A dieta vegetariana abole o consumo de carne animal. Entretanto, há os vegetarianos ovolactovegetarianos, que consomem produtos derivados, como ovo, leite e queijo. 

Outra fatia dos vegetarianos costuma restringir apenas a alimentação, mas usar produtos derivados de origem animal. Já o estilo de vida vegetariano vegano não come ingredientes de origem animal e nem usa produtos desenvolvidos com sofrimento de algum bicho (por exemplo: cosméticos testados em coelhos).

Em comum, são modos de vida com várias motivações. Podem ser contra o abate de animais, o modelo agropecuário de ocupação da terra, princípios pessoais, crença...

O Picanhas Grill reabriu as portas para o público no mês passado como um restaurante na categoria vegana, mas com um letreiro na fachada quase igual ao original: Picanhas Grill Veg. O nome carnívoro ficou como uma homenagem ao trabalho do casal para criar um restaurante sem "ter 1 real, bah!".

O rodízio é servido como uma churrascaria convencional. Há um buffet com saladas e outras opções, uma grelha e um garçom que vai de mesa em mesa com um espeto com mais comida.

No cardápio, couve-flor à milanesa, estrogonofe de glúten, seitan (proteína de glúten), calabresa, bife à parmegiana, polenta, pão de alho, abacaxi assado com canela, coxinhas, pastéis e cheddar vegano e cachorro quente. Tudo sem leite, ovo ou queijo. De sobremesa, maçã caramelizada, carrapinha (amendoim com chocolate), bolos e mousses.

Para Zelinda, a dieta vegana é uma maneira de evitar o sofrimento animal. "Eu aprendi que toda a vida de um ser vivo deve ser respeitada na filosofia hare krishna", diz.

Nos últimos anos, ela afirma que a população é mais consciente sobre alimentação com a ajuda da internet. Logo, a sociedade foi sendo educada para criar mais produtos, restaurantes e a reconhecer o veganismo como uma opção sustentável.

"Eu conheci jovens que nunca provaram carne. Na minha época não era assim", diz. Quando "saiu do armário" como vegana, a finada mãe a levou ao médico para checar se ela estava bem de saúde.

Como se provou com exames que estava tudo bem, a mãe se convenceu e boa parte da família de Zelinda acabou se tornando vegetariana ou vegana.

Evandro também viu vantagem. "Bah, tu come um Xis e fica estufado, não dorme direito. O paladar também só consegue sentir gosto de carne e mais nada. Com vegano, tu come e fica tranquilo", diz.

Mais de 100 pessoas compareceram na reinauguração. "Um pessoal chegava bem ali perto da grelha pra ver se não era carne mesmo", brinca Evandro.

Para evitar aglomerações, o Picanhas funciona com reservas. O horário é das 10h30 às 15h30, com atendimento de no máximo 40 clientes por vez. O rodízio vegano sai por R$ 56.

Picanhas Grill - Félix Zucco/Agência RBS
 
Imagem: Félix Zucco/Agência RBS


Fonte:UOL





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