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Dermatite em Pets: Como o Calor Afeta a Pele do Seu Cão

Alerta de Verão: Por que o calor pode ser o maior inimigo da pele do seu pet? Com as temperaturas a subir, a nossa preocupação costuma focar-se na hidratação e no passeio em horários frescos. Mas sabia que o calor e a humidade são a combinação "perfeita" para o aparecimento de doenças de pele? Recentemente, especialistas alertaram para o aumento significativo de casos de dermatite em cães e gatos durante os meses mais quentes. Segundo a veterinária Carla Perissé, especialista em dermatologia, o ambiente quente e húmido favorece a proliferação de microrganismos que atacam a saúde cutânea dos nossos melhores amigos. Os Vilões do Verão Não é apenas o sol forte que incomoda. A junção do calor com a humidade cria o cenário ideal para: Sarnas e Micoses: Fungos e ácaros reproduzem-se mais rapidamente. DAPP (Dermatite Alérgica à Picada de Pulga): O calor acelera o ciclo de vida das pulgas, aumentando o risco de picadas e reações alérgicas severas. Proliferação Bacteriana: O suor ...

Cão Obeso

 A obesidade é definida como o peso corpóreo 20% maior que o considerado ideal. É conhecida atualmente como o distúrbio nutricional mais comum em cães, acometendo de 25-50% dos animais, em um processo progressivo e continuo semelhante a epidemia de obesidade em humanos. Diversos problemas de saúde são causados ou complicados pela obesidade, como doenças pulmonares e cardiovasculares, pancreatite, complicações relacionadas a anestesia, a inflamação crônica e a obesidade. Quando levada ao extremo, diminui a qualidade e a expectativa de vida.

Estima-se que osteoartrite acometa cerca de 20% dos cães acima de um ano de idade. Caracteriza-se por dor e sensibilidade articular, limitação de movimento, crepitação, efusão e inflamação local. A obesidade é fator de risco para o desenvolvimento de osteoartrite em cães e humanos, envolvendo fatores mecânicos, metabólicos e bioquímicos. O excesso de peso, aumenta o estresse mecânico sobre as articulações de suporte e o estresse cíclico excessivo, contribui para a degradação da cartilagem articular e remodelamento do osso subcondral. Entre as alterações mecânicas do aumento do peso corpóreo capaz de iniciar e evoluir para osteoartrite estão as mudanças cinemáticas, como alterações no suporte de peso para áreas incapazes de sustentar grandes cargas.

No quesito bioquímico, há estreita relação entre a obesidade e o status inflamatório sistêmico, que juntamente com a leptina, um hormônio secretado principalmente por adipócitos, desempenham papel importante na patogênese da osteoartrite, modulando a função de condrócitos, contribuindo para a formação de osteófitos por meio do aumento da expressão de matriz metaloproteinase e agrecanases reduzindo a funcionalidade de colágeno e proteoglicanos. De forma semelhante, estimula a liberação de mediadores inflamatórios responsáveis pela ocorrência de doenças relacionadas a inflamação na obesidade, como a osteoartrite. Desta forma, limitar a ingestão de alimentos ao mínimo necessário para manter o peso ideal em cães susceptíveis durante a fase de crescimento e nos adultos jovens reduz a severidade dos sinais de osteoartrite, diminui o acometimento de múltiplas articulações e atrasa a necessidade de tratamento.

A ingestão adequada de alimentos reduz a incidência de displasia coxofemoral. A causa deste efeito é desconhecida, mas parece não se limitar somente ao baixo peso corpóreo, mas também pela menor taxa de crescimento em animais jovens. Alguns autores arriscam afirmar que a dieta restritiva é uma alteração do tipo ambiental que melhora o fenótipo de animais genotipicamente predispostos à displasia coxofemoral. As mesmas considerações parecem ser verdadeiras para a osteoartrite de múltiplas articulações, com a maior incidência e severidade de osteoartrite de cotovelo e ombro. Além disto favorece o surgimento de fraturas do côndilo umeral, ruptura do ligamento cruzado cranial do joelho e a doença do disco intervertebral. De forma geral, manter o peso ideal de cães retarda a necessidade de tratamento para osteoartrite, adia a necessidade de eutanásia por doenças crônicas e até mesmo retarda a morte natural por causas não relacionadas a osteoartrite.

Indo além de um dos principais predisponentes para o desenvolvimento de osteoartrite articular, pacientes com esta afecção podem desenvolver sobrepeso e obesidade após apresentar os sinais clínicos. Este fenômeno ocorre devido ao ciclo causa-efeito-causa em que a redução da atividade física devido às injurias articulares e à dor reduz o gasto energético em animais que não se exercitam normalmente, levando ao ganho de peso excessivo. O ganho de peso que ocorre após o desenvolvimento da doença piora os sinais clínicos e a aparência radiográfica das lesões.

A redução do peso corpóreo maior que 6% no cão obeso significativamente diminui os sinais clínicos de claudicação e melhora a mobilidade. Mesmo isoladamente a redução de peso pode resultar em melhora substancial dos sinais clínicos a curto e longo prazo. Independente do ganho de peso e sobrecarga mecânica, a própria ingestão de alimentos ricos em gordura isoladamente predispõe ao surgimento de osteoartrite e ao agravamento dos sinais clínicos.

A perda de peso deve sempre ser considerada como modalidade terapêutica em cães com claudicação e intolerância ao exercício causada por osteoartrite, especialmente objetivando redução de 6-9% do peso corpóreo. Evitar o ganho de peso excessivo e a redução da massa corpórea por si só melhora a qualidade de vida de animais com claudicação de origem osteoarticular. A prescrição de exercícios leves, melhoria da dieta e a ingestão de ácidos graxos insaturados como ômega 3 apresentam efeito antiinflamatório. A ingestão de alimentos coadjuvantes especialmente formulados para melhorar os sinais de artrite beneficia a maioria dos cães com sobrepeso. Assim que o nível de atividade física aumenta, o paciente deve ser reavaliado quanto ao início de um programa de restrição calórica. Apesar dos recentes avanços na terapêutica da obesidade em cães e a melhora progressiva na qualidade dos alimentos comerciais, a prevenção ainda é a melhor forma de tratamento.


Fonte: 

Vinicius Gonzalez Peres Albernaz

 Médico Veterinário Residente

Cirurgia de Pequenos Animais

FMVZ - UNESP - Campus Botucatu

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