Por que tantos gatos preferem caixas de papelão às camas

Por que tantos gatos preferem caixas de papelão às camas



Gato descansando dentro de uma toca de papelão.

Mesmo quando têm à disposição uma cama confortável, muitos gatos escolhem a caixa de papelão que veio junto com ela. Essa preferência tem explicações ligadas à segurança, à temperatura e aos comportamentos naturais dos felinos — e não significa necessariamente que o animal rejeite a cama. reúne estudos e avaliações de especialistas sobre o tema.


Espaços fechados podem oferecer aos gatos uma sensação de proteção que camas abertas não proporcionam. Embora sejam caçadores, os felinos também podem ser alvo de outros animais; por isso, um esconderijo permite que permaneçam abrigados enquanto observam o ambiente. A caixa também pode servir como ponto de descanso e exploração e, pela abertura, como local de onde o gato acompanha ou tenta alcançar brinquedos e pequenos insetos.


Pesquisas realizadas em abrigos indicam que esconderijos podem ajudar gatos recém-chegados a lidar com o estresse. Em um levantamento da Universidade de Utrecht, os dez animais que tinham acesso a uma caixa se recuperaram mais rapidamente do que os nove que não dispunham desse recurso. Em outro estudo, publicado em 2019, 23 gatos foram acompanhados durante 12 dias de quarentena: aqueles com caixa alcançaram um nível baixo e estável de estresse sete dias antes dos demais. A presença do esconderijo, porém, não impediu a perda de peso observada em quase todos os animais nem alterou as taxas de adoção ou o tempo de permanência no abrigo.


A atração por locais fechados também pode estar relacionada às primeiras experiências de vida. Os filhotes nascem em abrigos escolhidos pela mãe, e especialistas apontam que o acesso a uma caixa foi associado, em estudos, à redução de hormônios do estresse, como o cortisol, em gatos resgatados. Uma hipótese apresentada por um dos especialistas é que o contato das paredes com o corpo reproduza a sensação de aconchego da ninhada e possa favorecer o relaxamento; essa explicação é uma interpretação comportamental, não uma garantia de efeito igual para todos os gatos.


O papelão ainda pode ajudar a conservar o calor. Como muitas casas ficam entre 22 °C e 24 °C — faixa considerada fria para o conforto dos gatos pela clínica citada na reportagem —, o material isolante e o espaço reduzido podem ajudar a reter o calor corporal. A textura corrugada também oferece estímulo para arranhar e morder. A flexibilidade da coluna e a clavícula flutuante dos felinos ajudam a explicar por que eles conseguem se acomodar em caixas que parecem pequenas demais.



O modo como o gato usa a caixa é importante. Cochilar, brincar ou entrar e sair do espaço pode ser um comportamento esperado. Já permanecer escondido o tempo todo, especialmente com sinais como lambedura excessiva, alterações no apetite ou problemas com a caixa de areia, pode indicar estresse. Nesses casos, a orientação é buscar avaliação veterinária e, se necessário, acompanhamento de um especialista em comportamento animal.


A caixa não precisa substituir a cama: as duas podem ficar disponíveis. Em situações como mudanças na rotina, visitas ou adaptação a uma nova casa, oferecer um esconderijo pode ajudar o animal a se sentir mais seguro. Como o papelão não pode ser higienizado adequadamente, a recomendação citada na matéria é que cada caixa seja usada por um único gato e, depois, descartada ou reciclada.




Canal de Mentoria Monika Silva

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