Maus-tratos, proteção ao adolescente e responsabilidade social no Brasil 1. A violência como sintoma social Casos de maus-tratos seja contra animais, crianças ou adolescentes não surgem isoladamente. Eles são reflexos de um ambiente social marcado por desigualdade, falta de educação emocional, ausência de políticas públicas eficazes e, cada vez mais, pela normalização do ódio nas redes sociais. O episódio envolvendo o cão Orelha, morto por adolescentes em Florianópolis, chocou o país não apenas pela crueldade, mas pela idade dos envolvidos e pela tentativa de familiares de interferir na investigação. Esse caso expõe um problema maior: a banalização da violência e a incapacidade de parte da sociedade de reconhecer limites éticos básicos. 2. A legislação brasileira sobre maus-tratos 2.1. Proteção aos animais A Constituição Federal determina que o poder público e a coletividade devem proteger a fauna, proibindo práticas que submetam animais à crueldade (art. 225, §1º, VII)....
Maus-tratos, proteção ao adolescente e responsabilidade social no Brasil
1. A violência como sintoma social
Casos de maus-tratos seja contra animais, crianças ou adolescentes não surgem isoladamente. Eles são reflexos de um ambiente social marcado por desigualdade, falta de educação emocional, ausência de políticas públicas eficazes e, cada vez mais, pela normalização do ódio nas redes sociais.
O episódio envolvendo o cão Orelha, morto por adolescentes em Florianópolis, chocou o país não apenas pela crueldade, mas pela idade dos envolvidos e pela tentativa de familiares de interferir na investigação.
Esse caso expõe um problema maior: a banalização da violência e a incapacidade de parte da sociedade de reconhecer limites éticos básicos.
2. A legislação brasileira sobre maus-tratos
2.1. Proteção aos animais
A Constituição Federal determina que o poder público e a coletividade devem proteger a fauna, proibindo práticas que submetam animais à crueldade (art. 225, §1º, VII).
A Lei de Crimes Ambientais
(Lei nº 9.605/1998) tipifica maus-tratos como crime, com pena aumentada quando se trata de cães e gatos:
- Reclusão de 2 a 5 anos,
- Multa,
- Proibição de guarda.
O caso Orelha reforçou a necessidade de políticas públicas, como a Lei catarinense nº 19.726, que reconhece e protege animais comunitários.
2.2. Proteção à criança e ao adolescente
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece:
- Direito ao respeito e à dignidade (art. 17)
- Proteção contra violência, tratamento desumano ou vexatório (art. 18)
Além disso, o ECA proíbe a divulgação da identidade de adolescentes envolvidos em atos infracionais, como determinado pela Justiça no caso Orelha, que ordenou a remoção de conteúdos que identificavam os jovens nas redes sociais.
Essa proteção não significa impunidade, mas sim a compreensão de que adolescentes são sujeitos em desenvolvimento, e que a exposição pública pode causar danos irreversíveis.
3. Por que crimes de ódio e maus-tratos têm aumentado?
Diversos fatores contribuem para esse crescimento:
3.1. Normalização da violência nas redes sociais
Ambientes digitais amplificam comportamentos agressivos, desumanizam vítimas e criam “bolhas” de ódio. Jovens, ainda em formação moral, são especialmente vulneráveis a esse tipo de influência.
3.2. Falhas na educação emocional
A escola brasileira, apesar de avanços, ainda carece de:
- Programas de educação socioemocional
- Discussões sobre empatia, ética e convivência
- Formação de professores para lidar com conflitos
Sem isso, muitos adolescentes crescem sem desenvolver habilidades essenciais para lidar com frustrações e diferenças.
3.3. Desigualdade e ausência de políticas públicas
Ambientes violentos, negligência familiar e falta de oportunidades aumentam a probabilidade de comportamentos agressivos.
3.4. Cultura de impunidade
Quando a sociedade relativiza a violência seja contra animais, mulheres, crianças ou minorias ela envia a mensagem de que certos atos são toleráveis.
4. O papel da educação no combate aos maus-tratos e ao ódio
A educação é a ferramenta mais poderosa para transformar comportamentos e prevenir violência. Isso inclui:
4.1. Educação formal
- Inserir temas como direitos humanos, proteção animal e cidadania no currículo
- Promover debates sobre ética, empatia e responsabilidade
- Desenvolver projetos de convivência e mediação de conflitos
4.2. Educação familiar
Famílias são o primeiro espaço de formação moral. É nelas que crianças aprendem:
- Respeito
- Limites
- Consequências de seus atos
- Valor da vida humana e animal
4.3. Educação digital
Ensinar jovens a:
- Usar redes sociais com responsabilidade
- Reconhecer discursos de ódio
- Denunciar conteúdos violentos
- Entender que o ambiente virtual tem consequências reais
5. Combate a grupos de ódio e discursos violentos
O crescimento de grupos que promovem violência seja contra minorias, animais ou instituições exige ação coordenada:
- Regulação das plataformas digitais
- Monitoramento de conteúdos extremistas
- Programas de prevenção em escolas
- Campanhas públicas de conscientização
- Apoio psicológico a jovens vulneráveis
O caso Orelha mostrou como a internet pode amplificar tanto a violência quanto a mobilização social por justiça.
6. Responsabilidade social: o que cada cidadão pode fazer
A proteção de crianças, adolescentes e animais não é apenas dever do Estado é responsabilidade de todos.
6.1. Denunciar
- Maus-tratos a animais
- Violência contra crianças e adolescentes
- Conteúdos de ódio nas redes
6.2. Educar pelo exemplo
Atitudes cotidianas moldam comportamentos:
- Tratar animais com respeito
- Evitar discursos agressivos
- Ensinar empatia às crianças
6.3. Participar da comunidade
- Apoiar ONGs
- Participar de conselhos tutelares
- Engajar-se em ações de proteção animal
6.4. Cobrar políticas públicas
- Educação de qualidade
- Programas de proteção
- Fiscalização efetiva
Importante
A violência contra animais e a participação de adolescentes em atos cruéis são alertas graves sobre o estado emocional e social do país. A legislação brasileira é robusta, mas não basta punir: é preciso prevenir.
Isso só será possível com:
- Educação transformadora
- Combate firme ao discurso de ódio
- Responsabilidade social ativa
- Políticas públicas eficazes
- Participação da comunidade
O caso Orelha não deve ser apenas lembrado como uma tragédia, mas como um marco para repensarmos nossa relação com a vida, com os jovens e com a sociedade que estamos construindo.

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